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Quem deve liderar a Reforma Tributária dentro da empresa?
Quem é o “dono” da Reforma Tributária dentro da empresa?
Uma das primeiras perguntas que as empresas deveriam responder sobre a Reforma Tributária parece simples: quem será responsável por conduzir a implementação?
Na prática, a resposta costuma ser mais complexa do que parece.
Tradicionalmente, mudanças tributárias são direcionadas às áreas fiscal, tributária ou contábil. No entanto, a dimensão da atual Reforma Tributária desafia esse modelo. Seus impactos ultrapassam os limites dessas funções e alcançam praticamente toda a organização.
A Reforma Tributária não é responsabilidade de uma única área
A área tributária tem papel essencial nesse processo. É ela que possui o conhecimento técnico necessário para interpretar a legislação, avaliar impactos fiscais, acompanhar regulamentações e orientar a empresa sobre as novas regras.
Mas a área tributária, sozinha, normalmente não controla todos os elementos que serão impactados pela reforma.
Sistemas, contratos, processos de compras, políticas comerciais, formação de preços, gestão de fornecedores e fluxo de caixa estão sob responsabilidade de diferentes áreas da organização.
Por isso, tratar a Reforma Tributária apenas como um tema fiscal pode gerar atrasos, desalinhamentos e riscos operacionais relevantes.
O risco da falta de coordenação
Áreas como tecnologia, jurídico, operações, financeiro, compras e controladoria serão diretamente afetadas pelo novo modelo tributário. Ainda assim, em muitas empresas, esses times não participam das discussões desde o início.
Esse cenário cria um risco importante: cada departamento pode assumir que outro está conduzindo a agenda da Reforma Tributária.
O resultado costuma ser a fragmentação das iniciativas, a duplicidade de esforços, a perda de prazos e, em alguns casos, a ausência de uma coordenação efetiva.
Quando não há clareza sobre responsabilidades, a empresa pode até avançar em algumas frentes, mas sem uma visão integrada dos impactos e das decisões necessárias.
Governança será essencial na implementação da Reforma Tributária
As empresas mais avançadas na preparação para a Reforma Tributária vêm adotando modelos específicos de governança para conduzir esse processo.
Em muitos casos, são criados comitês multidisciplinares, grupos de trabalho ou programas de transformação com patrocínio direto da alta administração.
O objetivo não é retirar o protagonismo da área tributária, mas reconhecer que a implementação da Reforma Tributária exige uma atuação integrada, estruturada e coesa.
A liderança precisa garantir que todas as áreas envolvidas estejam alinhadas quanto aos impactos, prazos, prioridades e responsabilidades.
Uma agenda que impacta decisões estratégicas
A Reforma Tributária poderá afetar decisões fundamentais para o negócio, como:
- precificação de produtos e serviços;
- revisão de contratos;
- parametrização de sistemas;
- gestão de fornecedores;
- estrutura logística;
- aproveitamento de créditos;
- planejamento financeiro;
- projeção de margens e fluxo de caixa.
Nenhuma dessas frentes deve ser conduzida de forma isolada.
A falta de integração pode comprometer a qualidade das decisões, gerar inconsistências operacionais e aumentar o custo da adaptação.
Mais importante do que definir o “dono” é definir a coordenação
Mais importante do que escolher qual área será a “dona” da Reforma Tributária é estabelecer quem terá a responsabilidade de coordenar os esforços, acompanhar a execução e garantir o alinhamento entre todos os envolvidos.
Essa coordenação deve conectar conhecimento técnico, visão operacional e estratégia de negócios.
A Reforma Tributária exige decisões que envolvem diferentes áreas, diferentes sistemas e diferentes impactos. Por isso, sua implementação precisa ser tratada como um projeto corporativo, e não apenas como uma demanda fiscal.
Reforma Tributária também é governança corporativa
A ausência de uma liderança clara pode transformar um desafio administrável em uma sucessão de problemas operacionais.
Empresas que estruturarem uma governança adequada terão melhores condições de antecipar riscos, organizar prioridades, reduzir retrabalhos e tomar decisões com mais segurança.
A implementação da Reforma Tributária não é apenas uma questão técnica. É, acima de tudo, uma questão de governança corporativa.
E as empresas que compreenderem isso mais cedo estarão mais preparadas para atravessar a transição com eficiência, controle e vantagem competitiva.
Por Fernando Moura
Sócio-Diretor da Quality Tax



